Magia para Cães

Com mais de 14 milhões de visualizações, os vídeos de Magia para Cães de Jose Ahonen, mágico e mentalista finlandês, são um enorme sucesso.
Claro que, pelos comentários, nem toda a gente parece concordar que se faça tamanha artimanha aos pobres canídeos, simplesmente para nos entreter. Mas de todas as coisas que nós humanos fazemos a cães (nomeadamente Exposições Caninas e Concursos de Beleza) esta parece ser a mais inocente (e divertida) de todas. Para mim o que me cativa nestes videos não é tanto a reacção dos cães mas mais a razão de ser dela. Porque se Ahonen se limitasse a esconder o biscoito por entre os dedos ou na manga, não seria fácil para os cães detectar o biscoito pelo odor? Mas os cães parecem não fazer ideia para onde o biscoito foi parar. Enganar um humano é fácil, pois muitas vezes vemos aquilo que esperamos ver. Mas enganar um cão parece-me ser mais difícil. Sugestões?

Falar com o público sobre experimentação animal

Sob o mesmo título, escrevi em Dezembro sobre o dilema que muitos utilizadores de animais de laboratório sentem no que diz respeito a transparência. É o tema de uma discussão que tem envolvido a comunidade de investigadores durante a ultima decada.

Os sinais que a prática de comunicação estão a mudar são vários. No mês passado, mais do que 70 instituições no Reino Unido assinaram a Concordat on Openness on Animal Research in the UK.  Com isso, as instituições comprometem-se a ser transparentes sobre porque, como e quando se utiliza animais em experiêncis, e a explicar os benefícios, danos e limitações da investigação.

Hoje, American Association for Laboratory Animal Science (AALAS) anuncia a colocação de um anúncio na versão digital e de papel do jornal USA Today. O anúncio remete para a campanha We Care, em que profissionais que trabalham com animais de laboratório explicam o seu trabalho e a sua motivação.

Maneio de equinos: Questionário internacional

Será mais comum manter cavalos estabulados na Suécia do que na Nova Zelândia? Com o que são alimentados os cavalos em França e na Holanda? Utilizam-se os mesmos equipamentos na Inglaterra como na Austrália? Será mais comum recorrer ao internet para aprender mais entre proprietários de cavalos nos Estados Unidos do que na Espanha?  

A Universidade de Sydney e International Society for Equitação Science ( ISES ) procuram responder a estas perguntas e desenvolveram um questionário on-line disponível em sete línguas para dar aos proprietários de cavalos em todo o mundo a oportunidade de contribuir com informações sobre como cuidam de seus cavalos.


O inquérito abrange alojamento e alimentação, comportamento, equipamento e as fontes de informação usados para aprender sobre maneio de cavalos.  

Demora cerca de 20 minutos a responder ao questionário que está disponível no

Sexo, experiências e ratos! – Parte 1

Quem está atento à questão da qualidade metodológica das experiências em animais já se deparou com esta questão: porque é que a maior parte das experiências apenas usa animais de um determinado sexo? Ou, porque é que a maior parte das vezes são escolhidos animais do sexo masculino? Ou, ainda, porque é que o sexo dos animais usados é frequentemente omitido em mais de um terço dos artigos científicos?

Uma das razões mais apontadas para a preferência por animais de laboratório machos é a variabilidade acrescida no uso de fêmeas, uma vez que os roedores têm ciclos éstricos que duram cerca de 4 dias, mudando de fase (proestro, estro, metaestro e diestro)  a cada dia. Esta maior variabilidade leva a um maior “ruído” a ter em consideração na análise dos resultados, o que leva a que sejam necessários mais animais para detectar o mesmo efeito. Em estudos de longa duração, contudo, pode haver uma preferência por fêmeas pois isso irá diminuir a ocorrência de episódios de luta entre companheiros de caixa, que muitas vezes obriga à exclusão de vários animais ao longo do estudo.
Um murganho fêmea e um murganho macho (Fonte)
É certo que há muitas circunstâncias nas quais apenas faz sentido usar um dos sexos (em estudos de funções reprodutivas, por exemplo), mas na maior parte das situações não há razão para não se terem em atenção as naturais diferenças fisiológicas, imunitárias ou metabólicas entre os géneros, que são muitas. Pode assim ser o sexo dos animais um factor negligenciável, em investigação? Essa mesma pergunta foi feita nos Estados Unidos há mais vinte anos a propósito dos estudos clínicos (ou seja, com humanos), que até 1993 eram maioritariamente (95%) conduzidos apenas com homens, sem que mulheres e minorias étnicas estivessem representadas. Esta situação melhorou bastante, desde então, com a alteração na regulamentação dos ensaios clínicos, estando no estando ainda longe de ser satisfatória. 
Vinte anos depois, começa a tornar-se cada vez mais evidente a necessidade de olhar para as diferenças entre os sexos nos estudos pré-clínicos, também, se queremos que de facto possam informar e prever resultados clínicos em humanos de ambos os sexos. Há ainda que considerar a questão ética de descartar cerca de metade dos animais gerados porque não pertencem ao sexo tradicionalmente usado em investigação. 
Atento a esta questão, o National Institute of Health, nos Estados Unidos, anunciou este mês que irá exigir que todos os testes pré-clínicos incluam animais dos dois sexos. Longe de ser uma questão apenas do foro técnico-científico, o tema mereceu mesmo a atenção do conceituado programa  60 Minutes, do New York Times e até mesmo do Colbert Report, do qual deixo aqui o hilariante segmento em questão.

Procuramos para Universidade Júnior

Universidade Júnior é o programa de atividades de verão da Universidade do Porto. Começando em 2005, é o maior programa do seu género em Portugal e envolve anualmente mais do que 4000 alunos, com a possibilidade de alojamento que faz com que o programa inclui alunos de todo o Portugal e mesmo de outros países.

Pela primeira vez participamos na Universidade Júnior com uma atividade que já apresentamos no Animalogos. Durante uma semana, os alunos ficarão a trabalhar connosco, aprendendo sobre comportamento e bem-estar de animais de pecuária, de companhia e de laboratório. Enquanto estamos a preparar as atividades aqui, precisamos para o mês de julho:

Participantes para a semana 14-18/7. Os lugares da semana 7-11/7 já esgotaram, mas nesta semana ainda há 5 vagas por preencher. Uma oportunidade para quem estiver no 10º ou 11º ano de escolaridade e que gostaria de aprender mais sobre bem-estar e comportamento animal! Inscrições aqui.

Um monitor para as duas semanas, 7-18/7. O monitor acompanha os alunos durante todas as atividades, pedagógicas bem como lúdicas, e a Universidade Júnior organiza formação preparatória para todos os monitores. O trabalho é remunerado e é uma oportunidade de aprender e ganhar mais experiência. O concurso está aberto até dia 25 de maio aqui.

Dia Internacional do Burro

Hoje, 8 de Maio, celebra-se o Dia Internacional do Burro. Comemoram-se assim estes animais que, ao longo dos séculos, têm trabalho em cooperação com os humanos não só como meio de transporte de pessoas e mercadorias, mas também como preciosos ajudantes na agricultura, para uso recreativo e até sendo usados para fins terapêuticos. 
É particularmente importante assinalar esta efeméride devido à ameaça de extinção que enfrenta a única raça autóctone portuguesa de gado asinino, o Burro de Miranda. 

A Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino (AEPGA) – que trabalha no sentido de conservar o Burro de Miranda – convida assim os seus apoiantes a tirar uma fotografia ostentando com orgulho umas orelhas de burro, para lembrar o valor do burro em Portugal e no resto do mundo onde, principalmente nos países em desenvolvimento frequentemente vivem num estado de saúde e bem-estar abaixo do limiar do aceitável, por desconhecimento ou falta de recursos das famílias que tanto deles dependem.  
As cinco melhores fotografias serão seleccionadas e os respectivos participantes convidados a passarem um dia com os burros como prémio, tendo direito a participar nos trabalhos diários de alimentação e manutenção do Centro de Valorização do Burro de Miranda, a fazer um passeio de uma hora e a apadrinhar um dos animais. 
Procura assim a AEPGA promover a mensagem de que “o burro é um companheiro precioso que merece ter uma vida com qualidade, saúde e felicidade, e de que o Burro de Miranda, em particular, precisa de protecção.”

ARRIVE Guidelines em Português

As ARRIVE (Animal Research: Reporting of In Vivo Experiments) Guidelines, um conjunto de directrizes subscritas por mais de 300 revistas científicas, universidades e sociedades científicas, visam promover um relato mais pormenorizado de estudos em animais. As mesmas surgiram para dar resposta a problemas de replicação de resultados publicados, por falta de informação acerca de todas as potenciais variáveis envolvidas em qualquer estudo com animais. Permitem ainda um escrutínio mais informado dos trabalhos publicados, pela comunidade científica. 
Fonte
O escrutínio pelos pares e a replicação dos resultados são dois pilares fundamentais do processo científico. Se não há informação fidedigna acerca de um protocolo experimental e os seus resultados, estes vêem-se seriamente comprometidos. Isto é particularmente importante em estudos em animais devido à quantidade de factores que nestes podem influenciar o decorrer e o resultado de uma experiência, e que incluem a humidade, luminosidade, ração, frequência de limpeza das caixas ou tipo de alojamento (individual, em grupos, aos pares, com ou sem material de ninho, etc.), para não falar de atributos fundamentais como o sexo e a idade dos animais, estes frequentemente omitidos nas publicações, como dois estudos por autores deste blog (a par de outros) têm vindo a demonstrar. 
Estas directrizes ARRIVE foram recentemente publicadas em Português  e Italiano, estando já na calha versões para outras línguas. Apesar de se esperar que a generalidade dos investigadores lusófonos seja suficientemente proficiente na língua inglesa para recorrer às ARRIVE na sua versão original, não deixa de meritório o esforço do NC3Rs em promover estas directrizes pela tradução noutras línguas, sendo de salientar o facto do português (europeu) ser uma das primeira línguas escolhidas. 
Torna também mais fácil a inclusão destas directrizes como recurso educativo em cursos na língua portuguesa e como referência nas instruções para os autores de revistas científicas no mundo lusófono. 

Política Comum Das Pescas – Aprender a gerir o bem comum

Numa altura em que a nova Política Comum de Pescas (PCP) entrou em vigor e quando se finaliza o futuro Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos e das Pescas (FEAMP), a PONG-Pesca convida a todos a participar num debate público sobre os desafios e as oportunidades que a fase de implementação da nova PCP apresenta. O debate decorre no dia 23 de Abril na sede da FLAD em Lisboa. Este evento também irá marcar o final da atividade da coligação da OCEAN2012 em Portugal e o início de uma nova etapa do trabalho das Organizações Não Governamentais nacionais sobre os assuntos das pescas.

A entrada é livre mas sujeita a inscrição através do endereço pong.pesca@gmail.com

Dia Mundial da Medicina Veterinária: Global Webminar em Bem-Estar Animal

Por ocasião das comemorações do Dia Mundial da Medicina Veterinária, realiza-se no próximo dia 29 de Abril (entre as 14h e as 16h, hora portuguesa) um seminário on-line sobre Bem-estar Animal. Organizado pela Associação Mundial de Veterinária e pela Comissão Europeia, este Global Webminar intitula-se: “Liderança Veterinária: disponibilizar ferramentas para veterinários na área de Bem-Estar Animal”. A inscrição é gratuita (termina hoje!) e permite ao público colocar questões e participar no debate.