Do lobo ao cão. E do cão ao cão de gado.

“Foi longa e tortuosa a evolução. Difícil. Mas as características que, actualmente, estão fixadas nas raças nacionais de cães de gado constituem um património genético invejável. Que não se pode perder. Contribuir para a preservação dos cães de gado e para divulgar a exigente tarefa que constitui o árduo quotidiano destes cães é o desafio deste livro. Esta obra vive da imagem e dos testemunhos de pastores e investigadores – plena de cor, acção e dramatismo. Para o leitor constituirá o regresso a um universo que julga perdido: o mundo rural, com os cães em acção guardando rebanhos e manadas, defendendo-os dos lobos e realizando combates de vida ou morte. Os cenários são naturais: as grandes serranias a norte do Douro, os cumes de Castro Laboreiro, os alcantis da Peneda, as encostas do Alvão. Aí, nesses ambientes selvagens, veremos como se entrecruzam destinos: ovelhas e vacas das ameaçadas raças autóctones, velhos pastores armados com cães e cajados. E como sobrevivem os velhos costumes e saberes – ante o desaparecimento de tradições como a transumância.”

Saiba mais sobre o Grupo Lobo, sobre o Projecto Cães de Gado ou compre o livro.

Que Peixe Comer?


Que diferença faz para o planeta Terra as opções gastronómicas que tomamos todos os dias? Para quem gosta de comer peixe, a Liga para a Protecção da Natureza criou a plataforma electrónica “Que Peixe Comer… para um Consumo Sustentável?”. Este projecto, que conta com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, pretende providenciar informação útil e prática para se consumir peixe de forma responsável. A ferramenta pedagógica é agradável de utilizar e o design é informal e apelativo. Ficamos a conhecer algumas das principais espécies de peixe da nossa costa, métodos de pesca utilizados, receitas culinárias e dicas para se escolher peixe sem danificar os ecossistemas marinhos. A versão experimental já está disponível e as opiniões são bem vindas!

Primeiros linces nascidos em cativeiro em Portugal


A notícia do nascimento de duas crias de Lince-ibérico (Lynx pardinus) no Centro Nacional de Reprodução do Lince-ibérico (CNRLI), em Silves supreendeu todos, mesmo aqueles envolvidos no projecto de reintrodução desta espécie emblemática no nosso País. De facto, decorreram apenas cinco meses desde que os progenitores, Azahar e Drago, foram introduzidos no CNRLI, e a extrema facilidade com que os dois indivíduos se adaptaram às novas condições (e um ao outro) augura um futuro mais risonho para a espécie.

Não deixa de ser curioso, no entanto, que a campanha de recuperação do Lince Ibérico – o mamífero mais ameaçado da Europa e o felino mais ameaçado do mundo – não seja mais do que uma medida de compensação ambiental imposta por Bruxelas pela construção da Barragem de Odelouca, na Serra de Monchique, no Algarve. Já anteriormente, nos finais dos anos setenta, houve uma campanha nacional para salvar o lince da extinção que se saldou num rotundo fracasso.


A campanha da Liga Portuguesa para a Protecção da Natureza visava, como ilustra o poster, combater a industria da celulose e o crescimento da monocultura do pinheiro-bravo e do eucalipto em detrimento da vegetação autóctone. A campanha, ao fazer perigar o desenvolvimento económico, criou uma barreira intransponível entre os interesses humanos e os interesses da natureza (e os do lince em particular). A prioridade foi, claro está, para os interesses humanos mais imediatos pese embora as consequências nefastas a médio-longo prazo do monocultivo vegetal: maior vulnerabilidade aos fogos florestais, desertificação dos solos e diminuição de biodiversidade.

Muito caminho está ainda por percorrer para que o lince volte a fazer parte da fauna nacional. Tão importantes como a reprodução em cativeiro, são a recuperação das populações de coelho-bravo e a requalificação de habitats.

Uma barbatana no mar, outra na sopa

Recordam-se daquela montra no aeroporto com espécimes exóticos (não, não aquela com espuma de barbear e outros líquidos ilegais pós-2006!) que não podem ser introduzidos em Portugal? Que não podem, de facto, ser vendidos ou comprados em lado nenhum do planeta, pelo menos não oficialmente. O mecanismo que estabelece estas regras denomina-se CITES (Convention on the Trade in Endangered Species), foi estabelecido em 1975 e que acabou de concluir a sua mais recente reunião em Doha, no Qatar.

Pela primeira vez esteve em causa uma interdição envolvendo espécies de grande interesse para a pesca comercial – atum-rabilho (bluefin tuna, Thunnus thynnus) e várias espécies de tubarão. O primeiro é procurado sobretudo no Japão, os segundos na China. A estes dois países juntaram-se uma série de outros para vetar a interdição segundo relata New Scientist, passando assim a responsabilidade de gestão para as entidades de regulamentação da pesca comercial.

Enquanto este desfecho é visto como uma derrota por parte dos conservacionistas, é interessante observar que o consumo de barbatanas de tubarão não passa sem discussão na grande economia que é a China. Um motor importante deste debate tem sido Yao Ming, admirado estrela de basket e dono do clube com o nome apropriado de Shanghai Sharks. Veja neste videoclip, lançado em Dezembro do ano passado, o que supostamente acontece quando a estrela se recusa a consumir um dos pratos mais prestigiados da sua cultura natal.

Anfíbios: Uma Pata na Água, outra na Terra

Os anfíbios são animais desconhecidos e geralmente mal-amados. Para contrariar esta visão, propõe-se a exploração, de forma lúdica e interactiva, das características mais espantosas destes animais ameaçados. Nesta exposição, encontrar-se-ão rãs, salamandras, sapos e tritões de Portugal em aquaterrários que recriam os seus habitats naturais, juntamente com imagens de alguns dos melhores fotógrafos de natureza ibéricos, que permitirão observar a sua beleza e impressionante diversidade de cores, formas e comportamentos.

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