Mas que raio de conceito é esse – criar e abater os animais em massa, pretender que se preocupa com o bem-estar deles e ainda ter a lata de declarar que até podemos ganhar mais dinheiro com isso. Tenho toda a compreensão pelo leitor que reage assim – foi consigo em mente que escrevi o post anterior, porque acho que é preciso ver o contexto em que se encontra a ciência de bem-estar animal para perceber o que se investiga.
Criação de porcos para abate é na Dinamarca uma actividade economica com peso considerável no produto nacional bruto. Enquanto o país tem pouco mais do que 5 milhões de habitantes, produz (e exporta) carne de porco suficiente para alimentar 15 milhões. Que há preocupação com a eficiencia neste sector não é de surprender. Mas o público dinamarquês preocupa-se também com o bem-estar animal.
Até que ponto consegue esta preocupação competir com a preocupação economica? Bem, esta pergunta não tem uma resposta, depende da situação.
Existem circunstâncias em que ambos ganham. As imagens deste post vem de um poster apresentado no UFAW International Symposium Making animal welfare improvements: Economic and other incentives and constraints. Apresenta numeros capazes de convencer mesmo quem se preocupa mais com centimos do que com porcos que um sistema de abate que causa menor stress aos animais não é um custo.
A mudança que se introduziu foi de manter os mesmos grupos de animais desde a saida da exploração (quinta) até o abate. Os animais passam por todos os passos incluindo o atordoamento sempre junto com o mesmo grupo de individuos, nunca estão sozinhos e não são misturados com animais que não conhecem. A qualidade da carne melhora, a quantidade de carcaça que tem que ser removida por ter lesões diminui e (como é mais facil manobrar porcos que estão menos stressados) é preciso menos mão de obra para lidar com o mesmo número de animais.
Não sei qual foi o motivo de introduzir estas mudanças. Mas é um bom exemplo como é possível colaborar com o comportamento natural dos animais e fazer melhor para todos.